Miguel Torga , no seu texto intitulado “ Reino Maravilhoso ”, e referindo-se a Camilo Castelo Branco (que viveu parte da sua adolescência nos concelhos de Vila Real e de Ribeira de pena), escreve o seguinte: « Que diz o senhor Varatojo!? O Camilo! O Camilo levou mas foi uma grande coça na Senhora da Azinheira, outra na Senhora da Saúde, outra na Senhora dos Remédios… Fazia-se fino! » Também na região de Trás-os-Montes e Alto Douro (o tal “ Reino Maravilhoso ” de Miguel Torga) há muitas e famosas Festas e Romarias Populares . É certo que cada um gosta mais (ou acha mais importante) esta ou aquela Romaria ou Festa Popular, pelo que as que vão ser aqui apresentadas são apenas algumas das que não nos podemos esquecer ao longo do ano: - As Festas em honra de S. Sebastião Todos os anos, no dia 20 de Janeiro , realizam-se, em diversas localidades dos concelhos de Boticas (por ex. em Alturas do Barroso , Cerdedo, Vila Grande – Dornelas e Viveiro - São Salvador do Viveiro) e de Mo...
“(...) por « danças populares portuguesas » queremos designar as « danças populares portuguesas tradicionais », as quais englobam três categorias: as « danças folclóricas », as « danças populares propriamente ditas » e as « danças popularizadas ». Procurar determinar e designar as mais arcaicas danças populares portuguesas é, obviamente, estultícia, até porque é impossível fazê-lo. Dado que a dança é uma atividade e uma função tão velhas como a própria Humanidade, poderemos dizer que na Península Ibérica se baila desde que nela surgem seres humanos, autóctones ou vindos de qualquer outra região da Terra .” (1) Danças Tradicionais de Trás-os-Montes Vinte e cinco. Um dos «llaços» ou figuras da *Dança dos Paulitos. Começa por uma espécie de apelo do bombo, destinado a congregar os bailadores, os pauliteiros (em número de dezasseis), seguido da dança, executada instrumentalmente por gaita de foles, tamboril, bombo e castanholas, a que vem...
«Puxando a rede» A Sabedoria Popular é o resultado de séculos, se não mesmo de milénios, de experiências e saberes adquiridos e transmitidos, quase sempre oralmente, de geração em geração. Prova disso mesmo são, por exemplo, os Provérbios, Adágios, Rifões, Ditados Populares e Anexins , que existem aos milhares, sobre diversos e variados temas e assuntos. Hoje vamos apresentar alguns Provérbios ou Ditados Populares sobre o mês de Fevereiro : » Ao Fevereiro e ao rapaz perdoa-se quanto faz, desde que o Fevereiro não seja varão, nem o rapaz ladrão. » Aveia de Fevereiro, enche o celeiro. » Bons dias em Janeiro vêm a pagar em Fevereiro. » Dia de S. Brás, a cegonha verás e, se não a vires, o Inverno vem atrás. » Em chegando o S. Brás (dia 3), verás o que o Inverno fez e o que o Inverno faz: se vai para diante ou se fica para trás. » Em dia de S. Matias (24) começam as enxertias. » Em Fevereiro chuva, em Agosto uva. » Em Fevereiro neve e frio, é de esperar ardor ...
No próximo dia 20 de Setembro, às 21h30m, na Quinta de S. Romão (em frente à Igreja da Areosa), o Rancho Folclórico de Paranhos – Porto vai realizar a sua XIV Desfolhada à moda antiga . Os objectivos principais para a realização desta iniciativa (desfolhada à moda antiga, como se fazia no trabalho agrícola de outros tempos) são: reavivar os usos e costumes dos nossos antepassados e cumprir com o propósito de manter uma tradição de âmbito cultural que só dignifica a cultura dos nossos antepassados . Da história reza que à noite, à luz das candeias, se faziam grandes desfolhadas, geralmente no alpendre da casa do lavrador, e embora possa parecer uma festa, é um trabalho duro e cansativo, tanto para os adultos, homens e mulheres, como para os jovens e as crianças que, por essas aldeias fora, que trabalham no campo, dançavam e cantavam ao som da concertina mas só se ia a convite dos lavradores. Então as pessoas partiam de casa, todos em conjunto, a cantar, chegavam à eira, s...
Tal como dissemos no post anterior, vamos aqui fazer breve referências a algumas das Festas e Romarias que se realizam no Norte de Portugal , mas concretamente na antiga Província do Minho . No Minho, existem, em quase todos os concelhos, Festas e Romarias conhecidas um pouco por todo o país e algumas mesmo no estrangeiro. A “rainha” de todas elas é, sem dúvida, a Romaria da Senhora da Agonia , tendo o conde de Aurora afirmado, em 1929, que ela era «a Festa Nacional do Minho ». O culto da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo , remonta ao século XVIII. A primeira referência escrita data de 1744, sendo de 1773 a tela votiva mais antiga. A capela onde está guardada a imagem domina o Campo da Agonia, coração dos festejos e local da realização da feira semanal (às Sextas-feiras). Em Monção , na Praça de Deuladeu, e após a procissão do Corpo de Deus, realiza-se a Festa da Coca : trata-se de uma representação da luta do Bem (um cavaleiro cristão) contra o Mal (um monstro ou dr...
Pastora da Serra da Estrela com o seu cão "Serões", nº073 – 1911 A fixação oral do conceito popular, tanto sob a forma de ditado como a de provérbio é, pelo que respeita aos cães, uma das mais copiosas mostras do vigoroso sentido etnológico português. Na curanderia de todos os tempos, na demonologia da Idade Média , na simbologia arquitetónica de diferentes séculos, o cão ocupa um lugar tão especial que, imiscuído sempre vemos, em um conjunto de atos, funções e objetivos os mais extravagantes. E pode tanto atuar esta sobrevivência animista na tradição portuguesa que interessante observar é que, sendo o cão dos animais domésticos aquele que ao homem mais se afeiçoa, é, também o que lhe evoca a parcela mais sombria de mistério e de sobrenatural. Encaramo-lo em figuração, soerguendo como símbolo de constância as urnas tumbais; surpreendemo-lo nas gorgulhas alcandorando rictus legendários; vamos defrontá-lo nos processos da Inquisição travestindo o espírito maligno. E...
A Romaria da Senhora do Pilar «A romaria da serra do Pilar é das mais concorridas. Fazem-se ali mercados e as raparigas do Porto e arrabaldes improvisam bailes em que também volteiam os soldados da fortaleza. A tradição conserva-se para as feiras e para o foliar naquele canto pitoresco da paisagem, onde há tantos anos se faz a romaria. Este ano, como de costume, foi enorme a concorrência, tendo-se feito excelentes negócios e magníficas transações.» Saber mais Romaria do Senhor de Matosinhos em 1914 Inquestionavelmente, é a terra de Entre-Douro e Minho a que oferece aos olhos estáticos do turista as mais lindas e variadas paisagens portuguesas, e que procria a gente mais divertida, mais foliona, mais alegre de todos o país. Foi talvez observando os usos e costumes das povoações do Norte que os franceses engendraram esse velho e tão verdadeiro provérbio: « Les portugais sont toujour gais ». Saber mais Feira de Santo António em Vinhais A f eira...
A Sabedoria Popular é o resultado de séculos, se não mesmo de milénios, de experiências e saberes adquiridos e transmitidos, quase sempre oralmente, de geração em geração. Prova disso mesmo são, por exemplo, os Provérbios, Adágios, Rifões, Ditados Populares e Anexins, que existem aos milhares, sobre diversos e variados temas e assuntos. Hoje vamos apresentar alguns Provérbios ou Ditados Populares sobre o mês de Janeiro . Janeiro é o primeiro mês do ano e é um período que traz consigo provérbios e ditados populares que refletem a sabedoria e as tradições da cultura popular em Portugal. Os provérbios sobre o mês de Janeiro oferecem ensinamentos valiosos e reflexões sobre o início de um novo ciclo, particularmente nas atividades agrícolas. - Seda em Janeiro, ou fantasia ou falta de dinheiro - Janeiro fora, mais uma hora, e quem bem souber contar, hora e meia há-de achar. - Pescada de Janeiro vale por carneiro. - Pelo S. Vicente (dia 22) alça a mão da semente...
Alguns dos últimos conteúdos disponibilizados no Portal do Folclore Português foram sobre o Artesanato do distrito de Vila Real : Tecelagem “ O Bragal ” – tecido de puro linho , nasce de um ciclo trabalhoso, a que ainda é possível assistir em alguns pontos do distrito de Vila Real. Entre Abril e Maio, a semente – a linhaça – é lançada à terra, cuja preparação para a receber exige inúmeros cuidados – vessada . São necessárias as regas certas e muito saber, não vá o tempo pregar alguma. (...) Olaria Olaria diz-se da arte de oleiro que é relativa a “panelas”, de barro. Para o povo transmontano, a Olaria passa, não só, pela componente decorativa, como também se afirma como utilitária, exprimindo-se em formas simples e funcionais. Faça-se especial destaque para a “ louça preta de Bisalhães ”, pertencente ao concelho de Vila Real, datando as primeiras peças de 1722. (...) Cestaria O cesteiro e o cesto são figuras habituais em qualquer contexto rural....
“Os nomes portugueses das comidas são: a parva , o almoço , a côdea , chamada também fatiga ( fatia ), o jantar (pronúncia popular: jentar , jintar ), a merenda , a ceia e o ceiote (pronúncia popular: cióte , verbo ciotar ). A parva consta de pouca comida, como azeitonas com pão e aguardente, e dá-se antes do almoço aos trabalhadores, os quais dizem então que vão matar o bicho ( Beira Alta ). O almoço é a comida da manhã. A côdea é uma pequena refeição entre o almoço e o jantar (Carrazeda de Anciães). O jantar , nas aldeias, é geralmente à hora do meio-dia. A merenda (só há merendas desde 25 de Março até 8 de Setembro) é à tarde. A ceia é ao anoitecer. O ceiote é geralmente à meia-noite, e dá-se aos homens que andam em certos trabalhos, como de lagar, etc. (Tabuaço). Em algumas partes é cos...