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A ponta de um corno, ou, como o povo tudo aproveita!

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A ponta de um corno Segundo Lavoisier (*) , o grande pensador francês, “ Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma ”. O povo português nunca estudou Lavoisier , mas sabia, pela sua forma de ser e de viver, aplicar esta lei no dia-a-dia. O seu engenho, aguçado pelas necessidades, habituou-o também a aplicar o conhecido adágio: “ Guarda o que não presta e terás o que te é preciso ”. Assim, nas suas mãos, nada se perde, mas tudo se aproveita. Os exemplos vêem-se por aí todos os dias. Mas hoje, queríamos falar do corno, do corno do boi , uma peça cheia de préstimos, habitualmente, para transporte de líquidos, segundo o seu tamanho e as necessidades: - para o vinho, - para o óleo com que se havia de untar o eixo dos carros, - para o copo, pequeno copo onde em algumas casas se servia aos trabalhadores a aguardente do mata-bicho. Cortava-se a ponta do corno para fazer um copinho que não levasse muito e que não partisse como os de vidro, pois era preciso pou

Trajos de Portugal | Entre Douro e Minho

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Lavradeira dos arredores de Viana do Castelo (c. 1910) O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa disponibiliza diversas informações sobre Trajos Regionais/Tradicionais de Portugal . A última actualização diz respeito a Trajos de Entre Douro e Minho , retirados da obra " Etnografia Portuguesa " - Livro III - José Leite de Vasconcelos : Trajo da semana O trajo da semana é pobríssimo, principalmente o das pessoas de idade mais avançada, e compõe-se do que passo a dizer (…) Trajo para a igreja Para a igreja, principalmente em dias solenes, o trajo muda (…). Trajo de feira O trajo da feira compõe-se do mesmo calçado, saia de anil com silvas de lã de diversas cores, avental do mesmo gosto, algibeira ao lado direito, bordada de missanga e lãs, com o nome de pessoa, onde se vê um lenço branco, marcado com algodão vermelho, tendo nos quatro cantos dizeres engraçados e curiosos (…). Trajo para ocasião de luto ou dó Quando é ocasião de luto ou dó vestem-se de

Encontros e Festivais de Folclore

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A maior parte dos  Grupos de Folclore  existentes no nosso País, ou integrados nas Comunidades Portuguesas espalhadas pelos “ quatro cantos do mundo ”, realizam, pelo menos, anualmente um Encontro ou Festival de Folclore, de um modo muito especial nos meses de Verão. O Portal do Folclore Português procura recolher e sistematizar informações sobre este tipo de iniciativas para divulgação gratuita nas suas páginas. Quem estiver interessado, basta enviar um email com as informações mais importantes (designação, data, hora, local, grupos participantes, etc.), incluindo o cartaz ou imagem promocional. Participem!  Divulguem o Festival de Folclore organizado pelo vosso Grupo onde aquele onde vão participar.  Também podem divulgar outro tipo de iniciativas. Sugestões: A ponta de um corno, ou, como o povo tudo aproveita! Trajos de Portugal | Entre Douro e Minho Arquitectura Popular em Portugal

Arquitectura Popular em Portugal

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“ Nas cidades medievais ou no campo, no litoral norte ou no estremo sul do país, o engenho popular foi, ao longo dos séculos, desenvolvendo soluções construtivas e tipologias. Factores determinantes: o espaço disponível, os materiais existentes na região e as condicionantes climáticas.  Com a Revolução Industrial surgiria a necessidade de alojar as cada vez mais numerosas classes trabalhadoras, expressa nas «vilas» e bairros operários .» In “Guia Expresso” – O melhor de Portugal: Casas – Arquitectura Popular, Solares, Moradias Arquitectura popular do Minho Absorvido pela terra que o alimentava, a si e à sua família, o minhoto pedia à casa só um abrigo, sem luxo nem conforto. Mas o desenvolvimento da lavoura e uma vida de maior desafogo vieram exigir mais daquela que passou a ser também a sua habitação. Saber mais... A arquitectura e a engenharia na criação da casa tradicional A concepção de casa tradicional do ponto de vista arquitectónico assenta na reunião das

Distrito de Vila Real: Gastronomia

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Tal como prometemos no artigo sobre o Artesanato no Distrito de Vila Real , vamos aqui deixar informações sobre alguns aspectos da Gastronomia no Distrito de Vila Real : Delícias de montes e vales "Uma das necessidades básicas do Homem é comer, e quando o faz com arte e engenho, fá-lo da forma mais perfeita, conquistando um lugar de destaque nos marcos da cultura. A geografia e as condições de vida são determinantes nos costumes e práticas culturais transmontanas. Os hábitos alimentares são marcados pelo isolamento a que, durante séculos, Trás-os-Montes se viu confinado, sustentado na inexistência ou precariedade de vias de comunicação, e em duas imponentes barreiras naturais, de respeito – a Serra do Marão e o Rio Douro, outrora tumultuoso, além da zona igualmente montanhosa, ou de relevo acidentado, do nordeste do distrito." (…) Saber mais... Carnes – Fumeiro "Por terras transmontanas, o porco é recurso cimeiro na alimentação do seu povo.  O consumo deste tip

Superstições e crendices dos nossos avós

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Tradicionalmente, existe todo um universo de crenças, que permanentemente ameaçam as pessoas. Uma das mais temidas é a do " mau-olhado " que leva a toda uma série de sintomas e malefícios.  A " doença " típica provocada pelo mesmo é o " quebranto ", onde o atingido tem perda da vivacidade, olhos lacrimejantes, sonolência entre outros. A cura só se dá através de muita benzedura. Segundo a crença popular, não se deve brincar com a própria sombra, pois pode " trazer doença ", nem contar estrelas, pois faz nascer verrugas também conhecidas por “ cravos ”.  Deve-se evitar ter em casa búzios e caramujos ou barcos em miniatura, pois os mesmos "chamam" males.  Borboletas pretas, mariposas, morcegos e cobras são animais peçonhentos que representam mau agouro, pois foram criados pelo diabo. Se matar gatos traz sete anos de atraso na vida, já uma rapariga que pisa em cima do seu rabo não casa. Estes são apenas alguns exemplos das infin

Festas, Feiras e Romarias de antigamente

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A Romaria da Senhora do Pilar «A romaria da serra do Pilar é das mais concorridas. Fazem-se ali mercados e as raparigas do Porto e arrabaldes improvisam bailes em que também volteiam os soldados da fortaleza.  A tradição conserva-se para as feiras e para o foliar naquele canto pitoresco da paisagem, onde há tantos anos se faz a romaria.  Este ano, como de costume, foi enorme a concorrência, tendo-se feito excelentes negócios e magníficas transações.»  Saber mais Romaria do Senhor de Matosinhos em 1914 Inquestionavelmente, é a terra de Entre-Douro e Minho a que oferece aos olhos estáticos do turista as mais lindas e variadas paisagens portuguesas, e que procria a gente mais divertida, mais foliona, mais alegre de todos o país.  Foi talvez observando os usos e costumes das povoações do Norte que os franceses engendraram esse velho e tão verdadeiro provérbio: « Les portugais sont toujour gais ».  Saber mais Feira de Santo António em Vinhais A f eira de Santo António em Vin

Provérbios e adágios populares sobre o mês de Março

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Desembarque de sargaço No cais de Caminha (Cliché Benoliel) "Ilustração Portuguesa", nº365 - 1913 Resultado de uma vivência diária atenta aos sinais da natureza e transmitida, oralmente, de geração em geração, a sabedoria popular surpreende-nos e encanta-nos em qualquer momento da nossa vida. Os provérbios, adágios, rifões, ditados populares e anexins , são bem uma prova disso. Hoje deixamos este post com alguns provérbios ou ditados populares sobre o mês de Março : »» Março, marçagão, manhã de Inverno, tarde de Verão. »» Vinho de Março, nem vai ao cabaço. »» Covas em Março e arrendas pelo S. João; todos o sabem, mas poucos as dão. »» Em Março, tanto durmo como faço. »» Março ventoso, Abril chuvoso, de bom comeal farão desastroso. »» Entre Março e Abril, há-de o cuco vir. »» Nasce a erva em Março, ainda que lhe deem com um maço. »» Água de Março é pior que nódoa no pano. »» Quem não poda até Março, vindima no regaço. »» Em Março, chove cada dia u

Provérbios e adágios populares sobre o mês de Fevereiro

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«Puxando a rede»  A Sabedoria Popular é o resultado de séculos, se não mesmo de milénios, de experiências e saberes adquiridos e transmitidos, quase sempre oralmente, de geração em geração.  Prova disso mesmo são, por exemplo, os Provérbios, Adágios, Rifões, Ditados Populares e Anexins , que existem aos milhares, sobre diversos e variados temas e assuntos. Hoje vamos apresentar alguns Provérbios ou Ditados Populares sobre o mês de Fevereiro : » Ao Fevereiro e ao rapaz perdoa-se quanto faz, desde que o Fevereiro não seja varão, nem o rapaz ladrão. » Aveia de Fevereiro, enche o celeiro. » Bons dias em Janeiro vêm a pagar em Fevereiro. » Dia de S. Brás, a cegonha verás e, se não a vires, o Inverno vem atrás. » Em chegando o S. Brás (dia 3), verás o que o Inverno fez e o que o Inverno faz: se vai para diante ou se fica para trás. » Em dia de S. Matias (24) começam as enxertias. » Em Fevereiro chuva, em Agosto uva. » Em Fevereiro neve e frio, é de esperar ardor no estio.

Autenticidade na representação etnográfica: é urgente e precisa-se!

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"Alguns amadores, discípulos do maestro Sarti, que entraram nos coros populares das festas realizadas nos teatros S. Carlos e Nacional." "Ilustração Portuguesa", nº 279 - 1911 O Pe. Luís Morais Coutinho escreveu, no seu livro intitulado “ Subsídios Históricos e Etnográficos do Alto Douro ” (1995), a propósito das “ Danças Etnográficas Durienses ”, o seguinte: « A dança etnográfica é vida. E vida sem gesto é maneta e perneta. A Etnografia, em termos de dança, é traje, música, ritmo e gesto. (...) A dança quando etnograficamente verdadeira é um palco de vida. Gostaria de referir as belíssimas danças durienses com o bater dos pés a lembrar a “pousa” e a subida aos socalcos e com o gesto largo e balanceado do homem das redes e do rio. (...) Ao falar da dança etnográfica alto-duriense devo dizer que ela não escapa à destruição que por aí campeia como praga ou epidemia. Grupos que se atribuem de Ranchos Folclóricos e nós não vemos de onde é o folclore. O traj