Em defesa dos Trajos Regionais e Tradicionais

Os trajos que qualquer Grupo de Folclore apresenta definem, ou deviam definir, sem ambiguidades, a região etno-folclórica a que o mesmo pertence e que pretende representar, em conjugação com as danças, os cantares e até os instrumentos musicais.

Infelizmente, isto está longe de acontecer com diversos Grupos de Folclore, de Norte a Sul do País, nas Regiões Autónomas e nas Comunidades de Portugueses espalhadas pelo mundo.

Felizmente, também há muito Grupos de Folclore que se prezam em apresentar com autenticidade os trajos da respectiva região, independentemente dos tecidos, dos cortes, dos adereços, etc., que possam ou não ser menos vistosos, coloridos ou “ricos” relativamente a outras regiões.

No âmbito do trabalho de pesquisa realizado pela Equipa do Portal do Folclore Português, encontrámos um artigo de opinião da autoria do Sr. Álvaro V. Lemos, escrito em Março de 1924 e publicado na revista ALMA NOVA (nº16/18 – Abril – Junho de 1924), intitulado «Os Trajos Regionais». Com a devida vénia, transcrevemos os parágrafos que nos parecem mais interessantes…

«(…) Entre nós, vão desaparecendo os trajos locais, mesmo das mais recônditas aldeias, e, ainda para cúmulo, morrendo da forma mais desastrada e eficaz, - envolvidos num conceito ridículo a que ninguém tem coragem de resistir. E, em poucas terras, como na nossa, se teme tanto o ridículo! O carnaval já se apoderou deles e, quem diz carnaval, diz consagração do ridículo.

A vaidade e a ambição, tão geral também entre nós, de se querer parecer sempre o que se não é, são também uma das causas desta rápida transformação e degradação.

Toca a camponesa ou tricana quer parecer senhora, todo o rústico ou marçano quer parecer fidalgo.

Desaparecem, na mulher, a chinela, o lenço, o avental, para darem lugar ao sapatinho citadino de salto altíssimo e ao custoso chapéu de fitas e flores, ou, quando a tanto se não aventuram, à simples écharpe e chalé de oito pontas.

No homem a blusa, a saragoça, a carapuça e o vareiro vão morrendo às mãos das gravatas de seda, das casimiras e dos finos feltros.

*

Ora, o que é verdadeiramente ridículo e grotesco, é vestir uma pele de uma civilização que se não possue. Tudo então é exterioridade, verniz para deslumbrar, para enganar. Mas, semelhante verniz, por mais brilhante que seja, é sumamente estaladiço e deixa ver o original, que encobre, ao mais simples gesto, palavra ou proceder, a não ser que se seja um consumado actor.

*

O trajo é, portanto, mais um ramo, embora modesto, mas interessante, do já tão desfalcado património nacional, que temos de defender para que se não vá cavando, mais funda ainda, a nossa desnacionalização.

Precisamos restaurar, reabilitar em cada terra, em cada província, os antigos trajos, os antigos costumes que sejam compatíveis com os tempos actuais.

Defendê-los de todo o ridículo, aconselhar, propagar a sua adopção, fazê-los cercar de carinho e simpatia por parte das pessoas de gosto e de elite. Fazê-los usar, como já é costume em alguns países, pelos serviçais e empregados das nossas casas e estabelecimentos, o que seria bem mais democrático e simples e ao mesmo tempo mais nobre e digno que as toucas hospitalares ou as librés agaloadas e de botões doirados que tanto se comprazem em ostentar.

Cada um deve ter orgulho da sua terra, da sua pátria e não se envergonhar de trazer consigo, ostensivamente mesmo, as insígnias características da sua região.

Promovam-se festas regionais, retrospectivas, concursos, certamens, prémios, compromissos de usar trajos nacionais, entusiasmem-se os novos no amor das nossas tradições, repare-se tudo quanto é susceptível de actualização, e o turismo não perderá entre nós mais este pitoresco atractivo.

Março de 1924
Álvaro V. Lemos»

Escrito há quase noventa anos, este texto ainda hoje nos pode ensinar muito. Atente-se no teor dos dois últimos parágrafos, embora conscientes de que o uso dos trajos regionais se deve restringir aos Grupos de Folclore e não para serem usados habitualmente!

Sugerimos a leitura de um documento elaborado e distribuído pela Federação do Folclore Português, há já alguns anos, e intitulado: «Observâncias fundamentais para um Rancho Folclórico que se propõe representar a sua região com base nos usos e costumes do princípio do século 20», no qual são abordados alguns aspectos relacionados com os Trajos.

A Equipa

As Amendoeiras em Flor!

Entre os meses de Fevereiro e Março, a paisagem do Nordeste de Portugal, em plena Região Demarcada do Douro, transforma-se graças ao surpreendente espectáculo das Amendoeiras em Flor. É urgente fecharmos os nossos olhos ao Inverno melancólico que adormece a paisagem transmontana e abrir o olhar para a alegria das Amendoeiras em Flor, que surgem nas simpáticas vilas e aldeias da Região do Nordeste.

Nesta época do ano, os campos de cultivo, e não só, cobrem-se com um manto branco e rosado, tão característico da flor da amendoeira, inundando os sentidos com cores e aromas deliciosos. O espectáculo da amendoeira florida faz o deleite não só da população local, como também dos inúmeros visitantes dos vários pontos do país e da vizinha Espanha que procuram, essencialmente, a beleza natural, ainda nada ou pouco alterada pela acção do Homem.

E tudo isto só é possível devido ao microclima, de características essencialmente mediterrânicas, que beneficia as localidades do Douro Superior, pelo que nesta região a Primavera anuncia-se com alguma antecedência. Está longe o termo do Inverno e já se anunciam os primeiros raios de Sol. Atingida uma temperatura ambiente cerca dos 12 graus, as amendoeiras desentranham-se em flores brancas e rosadas e toda a paisagem se transforma. E neste ambiente as pessoas sentem necessidade de sair para o ar livre, de encher os olhos de luz e de cor.

São inúmeras as Feiras e Mostras de Produtos Regionais e Locais: Azeite, Vinho, Enchidos, Queijo, Mel, Artesanato, etc., que contribuem para alegrar as ruas das povoações (Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Alfândega da Fé, entre outras) localizadas nesta região e as suas gentes, simples e hospitaleiras, honestas e trabalhadoras.

Assim, e indo ao encontro da necessidade de “ocupar”, particularmente os visitantes, os espectáculos de animação musical misturam-se aos sabores da riquíssima gastronomia que recheiam sorrisos e satisfazem “garfos exigentes”.

O Blogue «Passear em Portugal» sugere um passeio por alguma destas localidades durante a época das Amendoeiras em Flor, propondo um possível itinerário.

Terra de mais lindas mulheres de Portugal - Concurso de Fotografia em 1906

A Illustração Portugueza realizou em 1906 um Concurso Fotográfico intitulado “Terra de mais lindas mulheres de Portugal”, destinado a fotógrafos amadores e profissionais, com apresentação na edição de 12 de Março do Regulamento e com a publicação dos ‘retratos’ premiados na edição de 2 de Julho de 1906.

Retirado do texto (grafia actual) que acompanha a publicação dos ‘retratos’ premiados: «(…)Onde o homem que ao menos uma vez não tenha formulado em pensamento a pergunta palpitante: qual é a terra de mais lindas mulheres de Portugal? Até agora, porém, essa pergunta ficara sem resposta. Nesse conto admirável que se chama As singularidades de uma rapariga loura, Eça de Queirós designara as mulheres de Vila Real como as mais bonitas do Norte. E acrescentava: para olhos pretos Guimarães, para corpos Santo Aleixo, para tranças os Arcos, para cinturas finas Viana, para boas peles Amarante. Fantasia de romancista? Talvez. (…) Esquecera Eça de Queirós as suas vizinhas de Vila do Conde, de tão puro perfil e de tão doirados cabelos, para lhes preferir as desenvoltas moças de Vila Real e as airosas e decorativas raparigas dos Arcos de Valdevez e de Viana, que ainda hoje, na feira da Agonia, com as suas saias coloridas e os seus xailes de froco, a sua chinela de verniz a estalar nos pés como um brinquedo, as suas arrecadas de ouro a balouçar nas orelhas, levantam em rixas homicidas, para a disputa de um sorriso, os varapaus dos namorados. (…) Conseguiu a Illustração Portugueza, com o presente concurso, fixar em bases convincentes a eleição da terra de mais lindas mulheres de Portugal? Não o conseguiu.(…)»

O júri, constituído por Columbano Bordallo Pinheiro, professor da Escola de Bellas Artes de Lisboa, António Teixeira Lopes, professor da Escola de Bellas Artes do Porto, dr. José de Figueiredo, crítico de arte, Abel Botelho, romancista e dramaturgo, dr. Júlio Dantas, dramaturgo e poeta, e dr. Cunha e Costa, jornalista, decidiu, por unanimidade de votos, seleccionar os seguintes retratos:

1º prémio: Tricana de Ílhavo – fotografia do sr. Paulo Namorado (fotógrafo amador em Ílhavo);

2º prémio: Lavradeira de Barcelos (Freguesia de Roriz) – fotografia do sr. Júlio Vallongo (fotógrafo amador em Barcelos);

3º prémio: Costureira de Ílhavo - fotografia do sr. Paulo Namorado;

4º prémio: Rapariga de aldeia (Ílhavo) - fotografia do sr. Paulo Namorado;

e por maioria dos votos, os seguintes retratos:

5º prémio: Montanheira dos arredores de Loulé – fotografia do sr. Joaquim A. da Silva Nogueira (fotógrafo amador em Loulé);

6º prémio: Fiandeira de Ílhavo - fotografia do sr. Paulo Namorado;

7º prémio: Tricana de Aveiro – fotografia do sr. Albino Mendes (fotógrafo amador em Aveiro);

Poderá ver os 'retratos' premiados aqui>>>

Mês de Março de 2011

O nome do mês de Março teve origem no latino Martius. Foi consagrado por Rómulo a Marte (de quem aquele se intitulava filho), deus da guerra, pois entendia-se que era uma boa época para começar as guerras. Antes de cada expedição o general entrava no Templo de Marte, e diante dos escudos e das lanças, pronunciava esta invocação: “Vigia por nós, ó Marte!”. Se quiser saber mais acerca deste mês>>>

Este ano, Março é o mês do Entrudo! De Norte a Sul de Portugal, passando pela Madeira e Açores, o Entrudo continua a festejar-se de modo tradicional…

Passado o Entrudo, entramos na Quaresma (quarenta dias de preparação para a Páscoa…) e é durante este período de tempo que muitos usos, costumes e tradições ancestrais são vivenciados em diversas localidades do nosso país, caracterizando, de forma exemplar, a religiosidade popular que os nossos antepassados nos legaram.

O Calendário Agrícola lembra-nos que, durante o mês de Março, devemos “Continuar os trabalhos iniciados em Fevereiro, nomeadamente os respeitantes a adubações, correcções, lavras e cavas, preparando-se os terrenos para as sementeiras e plantações para o presente mês e seguinte. De preferência regar pela manhã, caso se verifique falta de água por escassez de chuvas, os talhões onde se efectuaram as sementeiras.” Não esquecer que, para além dos trabalhos na vinha, também há muito que fazer no campo, na horta, no pomar, no jardim, na adega e com os animais.

Não nos podemos esquecer que no mês de Março, vamos celebrar, a 19, o Dia de S. José/Dia do Pai, e que a 21, primeiro dia da Primavera, vamos celebrar o Dia da Árvore e da Floresta.

No dia 17 de Março de 1756, o Papa Bento XIV canonizou a Princesa Joana, actual padroeira da cidade de Aveiro.

Mas neste mês, há outras datas comemorativas e efemérides para celebrar.

Quem nasceu entre os dias 1 e 20 de Março pertence ao signo Peixes: “Os nativos deste signo são simpáticos, bondosos, prestáveis, sinceros e despreocupados. Suas principais falhas: super sensibilidade, irritação, rabugice e indecisão.” Já quem nasceu entre os dias 21 e 31 de Março está sob o signo Carneiro: “Os nativos deste signo são prudentes, activos, dedicados, entusiastas e persistentes. As suas principais falhas são: exagerados, vingativos, irritadiços e constantes.” Há 100 anos havia diversas superstições e crendices acerca do mês de Março e destes signos: Peixes e Carneiro.

Diz o povo que “Março liga a noite com o dia, o Manel com a Maria, o pão com o mato e a erva com o sargaço.” Mas há outros provérbios que também se referem, com mais ou menos propriedade, a este mês. Quem estiver interessado, pode conhecer Provérbios sobre outros meses e/ou sobre outros assuntos.

Bom mês de Março para todos(as)!

Provérbios e Adágios Populares sobre o mês de Março

Resultado de uma vivência diária atenta aos sinais da natureza e transmitida, oralmente, de geração em geração, a Sabedoria Popular surpreende-nos e encanta-nos em qualquer momento da nossa vida. Os Provérbios, Adágios, Rifões, Ditados Populares e Anexins, são bem uma prova disso.

Hoje deixamos este post com alguns Provérbios ou Ditados Populares sobre o mês de MARÇO:

»» Março, marçagão, manhã de Inverno, tarde de Verão.
»» Vinho de Março, nem vai ao cabaço.
»» Covas em Março e arrendas pelo S. João; todos o sabem, mas poucos as dão.
»» Em Março, tanto durmo como faço.
»» Março ventoso, Abril chuvoso, de bom comeal farão desastroso.
»» Entre Março e Abril, há-de o cuco vir.
»» Nasce a erva em Março, ainda que lhe deêm com um maço.
»» Água de Março é pior que nódoa no pano.
»» Quem não poda até Março, vindima no regaço.
»» Em Março, chove cada dia um pedaço.
»» Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir.
»» Em Março, onde quer eu passo.
»» Em Março, cada dia chove um pedaço.
»» Se em Março a videira não chora, choras tu.
»» Em Março espetam-se as rocas e sacham-se as hortas.
»» Quando o Março sai ventoso, sai o Inverno chuvoso.
»» Março chuvoso, S. João farinhoso.
»» Março virado de rabo é pior que o diabo.
»» Poda em Março, vindima no regaço.
»» Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.
»» Páscoa a Março, ou muita fome ou mortaço.
»» Temporã é a castanha que em Março arreganha.
»» Se queres um bom cabaço, semeia-o em Março.
»» No tempo do cuco, tanto está molhado como enxuto.
»» Março liga a noite com o dia, o Manel com a Maria, o pão com o mato e a erva com o sargaço.
»» Março marceja (chuva miudinha), pela manhã chove e à tarde calmeja.
»» Em Março, igual o trigo com o mato e a noite com o dia.
»» Março, nem quanto molhe o rabo ao gato; em Abril, quantas (águas) puderem vir.
»» Março de ano bissexto, muita fome e muito mortaço.
»» Março pardo, antes enxuto que molhado.
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