google-site-verification: google79c0ddd185701ae9.html BLOG do Portal do Folclore Português: Trás-os-Montes
Mostrar mensagens com a etiqueta Trás-os-Montes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trás-os-Montes. Mostrar todas as mensagens

Oficina de Cusco(s) Transmontano

Nos próximos dias 28 e 29 de Junho, na aldeia de Fresulfe, concelho de Vinhais (Parque Natural de Montesinho), a Associação Tarabelo vai realizar uma nova actividade para celebrar a existência do CUSCO(S) tradicional transmontano!

O cusco(s) é um alimento que ainda hoje continua a produzido em algumas aldeias no concelho de Vinhais, a partir da variedade de trigo barbela. Esse produto alimentar terá provavelmente chegado ao nosso país através da influência magrebina e pelas práticas alimentares da comunidade judaica que encontrou, no passado, refúgio em território transmontano.

Este saboroso recurso gastronómico encerra histórias e saberes ancestrais, que pretendemos dar a conhecer a todos/as.

Informação sobre a elaboração do cusco(s): aqui.

Contamos com a presença de todos/as para valorizar este ofício tradicional e as corajosas mulheres que têm, até hoje, sabido defendê-lo!

PROGRAMA

28 de Junho, Sábado
09h30 - Apresentação do cusco(s) e as suas etapas de confecção. Início da oficina do cusco(s);
13h00 - Almoço;
14h00 - Continuação dos trabalhos;
20h00 - Jantar convívio;
21h00 - Projecção de filme.

29 de Junho, Domingo
10h00 - Cozinha experimental: confecção de pratos com cusco(s);
13h00 - Almoço campestre na praia fluvial de Fresulfe;
14h30 - Passeio pedestre;
17h00 - Encerramento da actividade.

FORMADORA: Maria Fernanda Afonso.
APOIO: União de Freguesias de Soeira, Fresulfe e Mofreita.

Para apoiar a realização desta actividade de dois dias e os custos logísticos a ela associados, pedimos o donativo de 15 "Cuscos" para sócios/as e para não sócios/as o donativo de 20 "Cuscos". Para ambos os casos encontra-se incluído o almoço do domingo, com pratos associados ao cusco.

Inscrições e mais informações
Tel.: (351) 939 719 710
e-mail: associacaotarabelo@gmail.com  

Distrito de Vila Real: fumeiro tradicional e artesanato

Fumeiro tradicional

O porco tem sido, desde tempos remotos, um dos pilares da economia doméstica nas comunidades rurais. Ele fornece, bem regrada, carne para todo o ano, proteínas e gorduras que fazem falta, por igual, na dieta de uma região fria como esta. E carne tão saborosa e variegada, que se diz que cada parte tem o seu gosto próprio, desde a ponta do focinho à ponta do rabo – e todas deliciosas.

Os presuntos foram a curar, de pois de convenientemente preparados. Da mesma forma, a gordura, ou unto, vai servir para adubar as sopas e outros cozinhados ao longo do ano. Os lombos, esses têm um destino mais nobre: são utilizados na confecção de enchidos – salpicões e linguiças, na verdade (juntamente com o presunto) o mimo maior de todos os produtos porcinos.

O fumeiro encerra em si antiquíssima arte de temperar. A sua variedade é também surpreendente, desde as alheiras às mouras, e muitas outras variedades, muita delas locais, que só a passagem por lá nos pode revelar.

Poucos cenários serão tão sugestivos como um fumeiro bem guarnecido, na sua enorme variedade, a secar ao fumo da lareira, formando como que um sobrecéu de fartura e sabor na cozinha transmontana. Mas, obviamente, esta produção doméstica, sendo importantíssima para a dieta da família e para a sua economia, não responde às necessidades do mercado. Existem hoje unidades de transformação neste campo, em que o aproveitamento da carne de porco se processa a nível industrial, colocando no mercado produtos de boa qualidade.



Artesanato (Barro Preto e Linhos)

O artesanato é uma das facetas mais interessantes da ruralidade transmontano-duriense. Eele respondeu às necessidades imediatas, comuns, dos dia-a-dia, das populações, em tempos em que a indústria ainda não se tinha desenvolvido o suficiente para colocar os seus produtos na aldeia a preços acessíveis.

Como, porém, o homem cedo se preocupou em deixar uma estética no que lhe sai das mãos, depressa os produtos artesanais começaram a ganhar uma dimensão que transcende o simples utilitarismo e a ser testemunho simultaneamente de valores etnográficos ancestrais e da capacidade criativa do homem rural.

Hoje, apesar do declínio evidente da maioria das actividades artesanais, valorizam-se muito os seus produtos, alguns dos quais alcançaram um verdadeiro estatuto de must, como é o caso dos linhos que as mãos pacientes e artistas das tecedeiras de Agarez (Vila Real), Limões (Ribeira de Pena) e muitas outras povoações serranas criam nos seus teares rústicos, também eles artesanais. É o caso também das louças pretas de Bisalhães (Vila Real) e de Vilar de Nantes (Chaves).

Tantos os linhos (toalhas de mão e de mesa, colchas e outros artefactos) como os barros pretos (bilhas, moringas, alguidares, tachos e esses prodígios de miniatura que dão pelo nome de pucarinhos) têm em Vila Real um momento alto: a Feira de São Pedro, a 28 e 29 de Junho, em que se transaccionam grandes quantidades deste artesanato.




Texto: Folheto - Promoção dos Produtos Regionais do Distrito de Vila Real (NERVIR)

Trás-os-Montes - Vinhos e comidas

«A culinária trasmontana é suculenta e vigorosa. É o tradicional cabrito assado com o arroz no forno; é o complexo cozido-à-portuguesa, em que entra tudo: o naco de presunto, o salpicão, a galinha, o toucinho, a farinheira, a par dos mais tenros mimos da horta, desde a couve-flor ao alvo repolho. Noutras ocasiões, nas quadras do frio, aparece a formidanda travessa das alheiras, rodeadas de batatas alouradas e dos complementares montículos de grelos. A luta contra o frio, aí, faz-se por esses antigos processos de aquecimento central. Para cortar as gorduras, recorre-se a outro complemento: são os bones vinhos, límpidos e fortes (de 12 a 13 graus), que se colhem nos socalcos do Corgo, do Pinhão ou do Tua. São vinhos inimitáveis, que, em silêncio, se riem filosoficamente de todos os chamados vinhos da Califórnia.

Em regra, no final do bom repasto trasmontano, aparece uma pequena tigela de marmelada, de fórmula conventual ou caseira. É um mimo que fica ao lado do cálice do velho vinho do Pinhão. O dono da casa manda servir – e o convidado, muitas vezes, só por vergolnha, não pede a fórmula ou uma amostra.

Um dos mais típicos e gostosos manjares que em Trás-os-Montes, aqui e além, se descobrem, nas merendas das romarias, são as chamadas “bôlas de carne”. É uma espécie de antítese do pão-de-ló. O que este tem de leve e simples, tem a bôla trasmontana de complexo e substancioso.»

Fonte: Guia de Portugal, coord. de Sant'Anna Dionísio - 5º volume - Fundação Calouste Goulbenkian

A propósito, o Portal do Folclore Português publicou um artigo sobre a Gastronomia, Doçaria e Vinhos dos concelhos do distrito de Vila Real.

Etnografia em imagens - actualizações

No blog Etnografia em Imagens foram colocadas imagens relacionadas com profissões antigas e que já cairam em desuso:

+ As Aguadeiras de Vila Real - ver post >>>


+ O Soqueiro ou Tamanqueiro - ver post >>>

+ O Cesteiro - ver post >>>

Festas Natalícias no Nordeste Transmontano (2)

Festa de Santo Estevão ou Festa dos Rapazes
(Nordeste Transmontano)

A Festa de Santo Estêvão, também denominada Festa dos Rapazes, insere-se no contexto das festas nordestinas realizadas no ciclo dos 12 dias, do Natal aos Reis. Neste período - que engloba o solstício do Inverno - são várias as aldeias que experimentam o tempo festivo destacando-se Grijó de Parada, Parada, Serapicos, Agrochão, Babe, Rio d’Onor e Ousilhão.

A festa realiza-se todos os anos, nos dias 25 e 26 de Dezembro e nela toma parte toda a comunidade - homens, mulheres e crianças. A organização é promovida pelos rapazes ou moços da aldeia, de preferência solteiros. Insere-se no âmbito das festas do 1.º ciclo - as festas de Inverno - por estar relacionada com as épocas do ano, com as estações e com os fenómenos meteorológicos que lhe estão associados. (Saber mais >>>)

Festas Natalícias no Nordeste Transmontano (1)

Festa do Velho - Mogadouro

Na zona de Mogadouro, Trás-os-Montes, realiza-se a festa do Velho, Caramono ou Chocalheiro. Uma actividade que tem o seu início no dia 24 de Dezembro, com as pessoas a concentrarem-se à meia noite junto da grande fogueira de Natal, que se acende no largo da aldeia.

Antes de se acender o lume, dois rapazes («velho» e «mordomo») percorrem a aldeia para “pedir o cepo” para “a fogueira do menino”. Actualmente com os novos meios de transportes, este «peditório» realiza-se de tractor. Na aldeia de Vale de Porco, zona de Mogadouro, esta tradição ainda é vivida mas ao longo da noite sagrada e no dia seguinte “não há música de gaiteiros, nem cantigas, nem bailaricos, apenas a alegria do povo, espontânea, amiga e fraterna” – refere o livro Festas e Tradições Portuguesas. (Saber mais>>>)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...