«Tudo
começou há milhares de anos, quando o Homem sobrevivia caçando, arriscando-se
continuamente. Observando a Natureza, construiu as primeiras teorias do
funcionamento do Mundo. Melhor que qualquer outro animal o Homem está
biologicamente equipado para estabelecer causalidades e sequências. As
primeiras teorias médicas surgem, assim, do estabelecimento de relações entre
as forças da Natureza e a evolução do indivíduo. A evolução técnica permite,
nos nossos dias, a instauração de uma medicina preventiva. O Homem é capaz de
controlar o meio em que vive e agir sobre a sua própria estrutura biológica. A
um nível mais restrito, mantêm-se as medicinas
populares, baseadas em sistemas médicos locais, a que muitas vezes se dá o
nome de medicinas primitivas ou herboristas. (…)
(…)
A medicina popular está muito
próxima da medicina tradicional do tipo
erudito. Os antropólogos chamam-lhe também a medicina folk, a qual recobre praticamente os mesmos domínios: a
dietética e produtos vegetais, os rituais, manipulações físicas e o religioso.
A medicina popular define-se como o
conjunto de conhecimentos e crenças criados pelo povo, quer dizer, pelos
profanos não profissionais, e que se opõe ao discurso erudito.
Com
efeito, a cultura popular
caracteriza-se pela oralidade e por vezes esta oralidade traduz mais facilmente
certas adaptações locais e certas adaptações específicas à doença."
(In Medicina Popular - Ensaio de Antropologia
Médica, de António Fontes e João Gomes Sanches, Âncora Editora, Colecção
"Raízes", Março de 1999)
Nest
post vamos divulgar o início de textos sobre este tema, disponibilizados no
Portal do Folclore Português:
Plantas aromáticas e medicinais
Existem
plantas aromáticas e medicinais das mais variadas espécies, apresentando
consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, e com possibilidade de
aproveitamento de uma parte da planta ou da sua totalidade. Estas plantas
possuem na sua composição, para além das substâncias presentes em todas as
outras (como água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou
substâncias proteicas), compostos que as diferenciam e conferem propriedades
especiais, tais como alcalóides, glucosídeos, óleos essenciais, taninos, entre
outros, permitindo a sua utilização em medicina, na alimentação, como
conservante, aromatizante ou no fabrico de cosméticos e perfumes. Saber mais>>>
Doenças e ervas medicinais
Todas
as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se
ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz
essências, álcool e gases combustíveis. Associadas a estas substâncias estão
outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas,
como é, por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio. Saber mais>>>
Ervas aromáticas
Dizem
os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as
ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus
males. As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova
disso. A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas
para uso pessoal e cerimonial. Mas a proliferação das ervas e temperos está
sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos. A
sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular
dos portugueses, em encontrar um caminho para a Índia, com a finalidade de
adquirir especiarias. Saber mais>>>

