Entrudo ou Carnaval?


Entrados no mês de Fevereiro, aproximamo-nos, a passos largos, do Entrudo… ou será do Carnaval?

Tanto faz. Entrudo e Carnaval são dois termos com origens etimológicas diferentes mas que significam ou dão nome ao mesmo período do ano: o que vai desde o Domingo da Septuagésima até à Quarta - Feira de Cinzas, início da Quaresma.

Ora, a palavra Entrudo, terá tido origem no latim introitus, e significaria "entrada" ou “início” da Quaresma, período de 40 dias de reflexão e penitência que a Igreja Católica propõe como preparação para a festa da Páscoa, recordando os 40 dias que Jesus esteve a rezar e a jejuar no deserto, antes do início da Sua pregação e vida pública, e dos 40 anos que os israelitas vaguearam pelo deserto, antes de entrarem, finalmente, na Terra Prometida.

Já a palavra Carnaval, como afirma Carlos Gomes, no seu artigo de opinião “A magia do Carnaval”, «provém do latim "carpem levare" que significa "adeus carne" ou "retirar a carne" ou ainda estar associado a "curru navalis" que consistia num carro de rodas marítimo que saía para o mar e significava o retorno à pesca com a chegada da Primavera

O tipo de festividades do Carnaval, dentro da tradição romana, terá tido origem nas Saturnalias (festas em hora de Saturno, que tinham como objectivo celebrar o despertar do novo ciclo da “mãe-natureza”), nas Matronalias (celebrações dedicadas às mulheres, as quais, por esta ocasião, tinham poderes especiais sobre os homens), e nas Lupercalias (festas que pretendiam assegurar a fecundidade dos homens, animais e campos, realizadas à volta do dia 15 de Fevereiro).


Quanto à tradição grega, o Carnaval terá tido origem nas festas em honra de Dionísios (Baco, para os romanos), deus do vinho e da inspiração.

Independentemente das origens ou da designação que assumir, o Entrudo é uma festa com um significado intrinsecamente relacionado com a cultura de cada povo. Ao representar um “subconsciente colectivo”, é também uma festa de inteira liberdade, durante a qual é permitido fazer-se tudo ou quase tudo – durante três dias, os costumes e preconceitos parecem ser remetidos para um baú fundo e fechado a sete chaves, e quase impera o “vale tudo”.

Um pouco por todo o país, felizmente, ainda se vão mantendo muitas das tradições populares do Carnaval. Basta darmos um salto a Podence (Macedo de Cavaleiros) para festejarmos o Entrudo Chocalheiro ou a Festa dos Caretos. Também podemos ir até Lazarim (Lamego) para podermos festejar o Entrudo dos Compadres, com as respectivas e muito características máscaras.

Se quisermos ir até uma pouco mais a norte, em Lindoso, Ponte da Barca, podemos celebrar o Entrudo do Pai Velho (tradição ancestral que repesca as raízes do verdadeiro Carnaval Português).

Mas não é só em Portugal Continental que se celebra o Entrudo. Também na Madeira e nos Açores o Entrudo pode ser festejado de acordo com as tradições populares locais, mais ou menos ancestrais.

Há quem diga que os pastéis de toucinho (às vezes impropriamente chamados de toucinho-do-céu), característicos de Vila Real, eram consumidos no convento de Sta Clara (que existiu no espaço do actual Seminário e onde terão sido inventados) na 5ª feira gorda (a seguir ao Carnaval, entre a Quarta-feira de Cinzas e a 1ª Sexta-feira da Quaresma).

Na Beira Alta, o Entrudo, em especial o Domingo Gordo, era e ainda é ocasião propícia para se comer o bucho raiano, sendo da tradição que a família se reúna em convívio para o saborear.

Bom Entrudo ou Carnaval, como preferir!

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