Distrito de Vila Real: Gastronomia

Tal como prometemos no post sobre o Artesanato no Distrito de Vila Real, vamos aqui deixar informações sobre alguns aspectos da Gastronomia no Distrito de Vila Real:

Delícias de montes e vales: "Uma das necessidades básicas do Homem é comer, e quando o faz com arte e engenho, fá-lo da forma mais perfeita, conquistando um lugar de destaque nos marcos da cultura.

A geografia e as condições de vida são determinantes nos costumes e práticas culturais transmontanas.

Os hábitos alimentares são marcados pelo isolamento a que, durante séculos, Trás-os-Montes se viu confinado, sustentado na inexistência ou precariedade de vias de comunicação, e em duas imponentes barreiras naturais, de respeito – a Serra do Marão e o Rio Douro, outrora tumultuoso, além da zona igualmente montanhosa, ou de relevo acidentado, do nordeste do distrito." (…)

Carnes – Fumeiro: "Por terras transmontanas, o porco é recurso cimeiro na alimentação do seu povo. O consumo deste tipo de carne, fortemente enraizado, nasceu das adversidades geográficas, climatéricas e de relevo, da fabulosa capacidade de gentes capazes de tudo aproveitar e transformar em manjares divinos.

A cultura gastronómica transmontana apoia-se num princípio extremamente racional – a terra é dura, o que ela dá deve ser maximizado e segundo processos que permitam uma conservação alargada." (…)

Feijoada à Transmontana: "Expressão de um prato rico e farto, a Feijoada à Transmontana reflecte toda a capacidade de um povo, de combinar uma diversidade de alimentos e criar um repasto suculento." (…)

Cozido à Transmontana "(…) Trata-se de um manjar com toda a variedade de enchidos e fumados da região, linguiça, presunto, salpicão, moira, sangueira, a que se acrescenta, ainda, toda uma diversidade de carnes: vaca, galinha, porco salgado (orelheira, unha, barriga, chispe), batata, cenoura, e ainda hortaliças várias (repolho, couve lombarda, couve tronchuda)." (…)

Cabrito Assado com Arroz de Forno: "Outra das grandes tradições gastronómicas transmontanas é o Cabrito Assado com Arroz de Forno.

Tal como o nome traduz, Trás-os-Montes é uma região predominantemente de montanha, onde a fauna é rica e onde a criação de gado caprino se desenvolve em condições ambientais perfeitas." (...)

Tripas: "A capacidade do povo transmontano em aproveitar o que nos parece dispensável é excepcional e com resultados surpreendentes.

No concelho de Vila Real, um outro prato, deveras apreciado, é o de Tripas aos Molhos." (…)

Vinhos: E para acompanhar qualquer uma destas iguarias, e muitas outras que aqui não foram faladas, nada melhor de que um copo de um dos bons vinhos maduros que se produzem no distrito: do Douro, de Valpaços ou de Chaves... embora haja quem, particularmente os naturais ou residentes dos concelhos limítrofes da região do Minho, que preferia acompanhá-las com um bom Vinho Verde. E gostos não se discutem!

Divulgação de Iniciativas (1)

Para os eventuais interessados, aqui deixamos informações sobre iniciativas que chegaram ao nosso conhecimento:

IV Noite de Cavaquinhos do Porto
19 de Novembro de 2011 - 21h30 - Salão Nobre da Associação Católica do Porto

Exposição Temporária AMADEU COSTA - Traje e Chieira
Museu do Traje - Viana do Castelo

Projecto de valorização dos Arquivos das Associações Culturais
Associação PRÓ-MEMÓRIA - Associação Cultural e Etnológica de A-dos-Cunhados
19 e 20 de Novembro

Festa de S. MARTINHO nas terras do Gerês
Terras de Bouro - 20 a 23 de Outubro

ALMOÇO ANUAL - Casa Courense em Lisboa
23 de Outubro - 13h

Distrito de Vila Real: Artesanato


Alguns dos últimos conteúdos disponibilizados no Portal do Folclore Português foram sobre o Artesanato do distrito de Vila Real:

Tecelagem
“O Bragal” – tecido de puro linho, nasce de um ciclo trabalhoso, a que ainda é possível assistir em alguns pontos do distrito de Vila Real.

Entre Abril e Maio, a semente – a linhaça – é lançada à terra, cuja preparação para a receber exige inúmeros cuidados – vessada. São necessárias as regas certas e muito saber, não vá o tempo pregar alguma. (...)

Olaria
Olaria diz-se da arte de oleiro que é relativa a “panelas”, de barro.

Para o povo transmontano, a Olaria passa, não só, pela componente decorativa, como também se afirma como utilitária, exprimindo-se em formas simples e funcionais.

Faça-se especial destaque para a “louça preta de Bisalhães”, pertencente ao concelho de Vila Real, datando as primeiras peças de 1722. (...)

Cestaria
O cesteiro e o cesto são figuras habituais em qualquer contexto rural. Em tempos em que os materiais naturais predominavam face aos materiais sintéticos, a arrecadação e o transporte de géneros e artigos realizavam-se utilizando a cestaria. (...)

Rendas e Bordados
A realização da prática artesanal dos bordados e das rendas ascende a tempos bastante recuados. Ela nasce do jeito e da paciência da figura feminina, e, crê-se, nas classes nobres, onde o tempo urgia ser preenchido, o tempo em que a mulher esperava pelo seu senhor. “O Homem, senhor da guerra; a Mulher, senhora do Lar”.(...)

Latoaria
Em tempos idos, os recipientes, utilizados para uso doméstico, decorativo e mesmo para os trabalhos do campo, tinham como base materiais como a lata, a chapa, o estanho, o cobre, entre outros. Saber mais>>>

Tanoaria
Arte e Utilidade – reunidas numa só palavra, Tanoaria.

País vinhateiro, Portugal tem como característico o processo da concepção do vinho. Passando por tarefas múltiplas, desde a colheita à vindima, a saga culmina no armazenamento que exige técnica e engenho, contribuindo para a reconhecida qualidade da famosa seiva.(...)

Tamancaria
Os socos e os tamancos eram habitualmente usados como calçado, pelos mais desfavorecidos, ou por aqueles que trabalhavam directamente com a terra.

Com a base de madeira e o revestimento em pele, o pé delicado ou grosseiro acomodava-se e movia-se, ou com graça, ou com segurança e robustez.(...)

Pintura em Cerâmica
De significado bastante abrangente, a cerâmica diz respeito ao fabrico de objectos, desde tijolos, telhas e outros objectos de barro cozido, bem como porcelanas, faianças e louça de grés. Mas num sentido mais restrito, aliamos a actividade à “arte de fazer vasos de barro”, passando também pela própria pintura, especialmente aquela respeitante à louça mais fina.(...)

Croças
Croças, capas feitas de colmo ou junco, usadas por camponeses e pastores, para resguardo da chuva e do frio.

A parte nordeste do distrito de Vila Real assume uma tipicidade de clima bastante acentuada, as temperaturas atingem valores, ora muito altos, ora muito baixos. Diz a boca do povo – “três meses de Inferno, nove meses de Inverno”. Muito especialmente os meses de Inverno, exigem aos autóctones uma forte capacidade de resistência e adaptação ao meio.(...)


O distrito de Vila Real integra, conjuntamente com o Distrito de Bragança, quatro concelhos do distrito de Viseu e um concelho do distrito da Guarda, a antiga Província de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Reino Maravilhoso de Miguel Torga:

«Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso.

Embora haja muita gente que diz que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite.

O que agora vou descrever, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que um ser humano pode imaginar. Senão, reparem:

Fica ele no alto de Portugal, como os ninhos ficam no alto das árvores para que a distância dos torne mais impossíveis e apetecidos. Quem o namora cá de baixo, se realmente é rapaz e gosta de ninhos, depois de trepar e atingir a crista do sonho contempla a própria bem-aventurança.(…)»


Para além do Artesanato, há ainda a Gastronomia, da qual vamos falar no próximo post, os Trajos, as Danças e os Cantares, os Usos e Costumes, etc.
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