Trás-os-Montes - Vinhos e comidas

«A culinária trasmontana é suculenta e vigorosa. É o tradicional cabrito assado com o arroz no forno; é o complexo cozido-à-portuguesa, em que entra tudo: o naco de presunto, o salpicão, a galinha, o toucinho, a farinheira, a par dos mais tenros mimos da horta, desde a couve-flor ao alvo repolho. Noutras ocasiões, nas quadras do frio, aparece a formidanda travessa das alheiras, rodeadas de batatas alouradas e dos complementares montículos de grelos. A luta contra o frio, aí, faz-se por esses antigos processos de aquecimento central. Para cortar as gorduras, recorre-se a outro complemento: são os bones vinhos, límpidos e fortes (de 12 a 13 graus), que se colhem nos socalcos do Corgo, do Pinhão ou do Tua. São vinhos inimitáveis, que, em silêncio, se riem filosoficamente de todos os chamados vinhos da Califórnia.

Em regra, no final do bom repasto trasmontano, aparece uma pequena tigela de marmelada, de fórmula conventual ou caseira. É um mimo que fica ao lado do cálice do velho vinho do Pinhão. O dono da casa manda servir – e o convidado, muitas vezes, só por vergolnha, não pede a fórmula ou uma amostra.

Um dos mais típicos e gostosos manjares que em Trás-os-Montes, aqui e além, se descobrem, nas merendas das romarias, são as chamadas “bôlas de carne”. É uma espécie de antítese do pão-de-ló. O que este tem de leve e simples, tem a bôla trasmontana de complexo e substancioso.»

Fonte: Guia de Portugal, coord. de Sant'Anna Dionísio - 5º volume - Fundação Calouste Goulbenkian

A propósito, o Portal do Folclore Português publicou um artigo sobre a Gastronomia, Doçaria e Vinhos dos concelhos do distrito de Vila Real.

O Folclore e a implantação da República em Portugal

No próximo dia 5 de Outubro, Portugal vai celebrar o 100º aniversário da implantação da República.

Terá este facto alguma coisa a ver com o Folclore?

O Dr. Carlos Gomes, no seu artigo de opinião intitulado “Folclore e Política - As Políticas do Folclore”, a determinado passo, afirma “ Com o advento da I República, passaram as exibições do folclore a ser aproveitadas no contexto das “paradas agrícolas” de onde se derivaram os chamados “cortejos etnográficos”, exposições industriais e ainda nos congressos regionalistas que à época se realizaram já então com o propósito de debaterem a criação de regiões administrativas – províncias – em substituição da circunscrição distrital herdada da monarquia constitucional e que ainda vigora.”

Vale a pena ler o texto na íntegra.>>>

No final, pode enviar-nos a sua opinião sobre o assunto, para publicação no Portal do Folclore Português.

Mês de Julho

Estamos, já, no mês de Julho. As temperaturas rondam os 40º em algumas zonas do país. Faz lembrar o velho adágio: "Em Trás-os-Montes e Alto Douro são nove meses de Inverno e três de inferno!"

Este mês chamou-se primeiramente Quirinalis e era o 5º do ano de Rómulo. Depois foi esta denominação substituída pela de Julius em virtude dum decreto publicado por Marco António em honra de Júlio César. (Saber mais>>>)

De Norte a Sul de Portugal, realizam-se inúmeros Festivais ou Encontros de Folclore, onde os Grupos de Folclore mostram as danças e os cantares das respectivas regiões.

As Festas e Romarias que se realizam, um pouco por todo o lado, expressam bem a religiosidade popular, enquanto que nas Feiras se continua a mostrar o que de melhor há na Gastronomia, no Artesanato, nos Produtos Regionais, etc., de cada localidade ou região.

As actividades agrícolas mantêm o ritmo próprio do Verão, e sucedem-se a celebração de datas comemorativas e de efemérides.
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