Trás-os-Montes - Vinhos e comidas

«A culinária trasmontana é suculenta e vigorosa. É o tradicional cabrito assado com o arroz no forno; é o complexo cozido-à-portuguesa, em que entra tudo: o naco de presunto, o salpicão, a galinha, o toucinho, a farinheira, a par dos mais tenros mimos da horta, desde a couve-flor ao alvo repolho. Noutras ocasiões, nas quadras do frio, aparece a formidanda travessa das alheiras, rodeadas de batatas alouradas e dos complementares montículos de grelos. A luta contra o frio, aí, faz-se por esses antigos processos de aquecimento central. Para cortar as gorduras, recorre-se a outro complemento: são os bones vinhos, límpidos e fortes (de 12 a 13 graus), que se colhem nos socalcos do Corgo, do Pinhão ou do Tua. São vinhos inimitáveis, que, em silêncio, se riem filosoficamente de todos os chamados vinhos da Califórnia.

Em regra, no final do bom repasto trasmontano, aparece uma pequena tigela de marmelada, de fórmula conventual ou caseira. É um mimo que fica ao lado do cálice do velho vinho do Pinhão. O dono da casa manda servir – e o convidado, muitas vezes, só por vergolnha, não pede a fórmula ou uma amostra.

Um dos mais típicos e gostosos manjares que em Trás-os-Montes, aqui e além, se descobrem, nas merendas das romarias, são as chamadas “bôlas de carne”. É uma espécie de antítese do pão-de-ló. O que este tem de leve e simples, tem a bôla trasmontana de complexo e substancioso.»

Fonte: Guia de Portugal, coord. de Sant'Anna Dionísio - 5º volume - Fundação Calouste Goulbenkian

A propósito, o Portal do Folclore Português publicou um artigo sobre a Gastronomia, Doçaria e Vinhos dos concelhos do distrito de Vila Real.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...